E
que governe bem a sua própria casa, criando os filhos
sob disciplina, com todo respeito (pois se alguém não
sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja
de Deus?) -
1Tm. 3:4,5.
Estou lendo o jornal
de hoje, e uma das manchetes de primeira página é
a seguinte, literis:
"Terra de Ninguém
— é Alagoas, onde a polícia está em
greve, o IML não funciona, os cartórios fecharam
e a sede da Guarda Municipal foi incendiada ontem."
No interior do jornal
se explica a calamidade administrativa do Estado:
"Com o salários
atrasados há meses, os policiais civis estão em
greve e os policiais militares estão aquartelados. Até
a Guarda Municipal, mantida pela prefeitura de Maceió,
foi desmobilizada pelo prefeito Ronaldo Lessa, depois que alguns
desconhecidos colocaram fogo no arquivo e depósito da
guarda."
E continua:
"A greve da
Polícia Civil e o aquartelamento da PM estão provocando
o aumento de assaltos a banco em Maceió."
Explicar o que está
acontecendo com Alagoas é explicar o Brasil, pois as coisas
não estão muito diferentes em boa parte de nosso
país. Na verdade, todo mundo sabe um pouco da resposta.
Exceto os nossos políticos, talvez. O pior cego é
aquele que não quer ver.
O governador do Estado,
aliás como todos fazem, diz que o problema é falta
de dinheiro para pagar os funcionários, que não
recebem desde março. E onde foi parar esse dinheiro? A
resposta é sempre a mesma. Ah, isso é problema
recebido do governo anterior, que fez isso e aquilo. Ninguém
tem culpa de nada. Ninguém é mau gestor, improubo,
ladrão. Nem os famosos sete anões.
Vivemos numa sociedade
diabética. Mas não estamos falando do conhecido
distúrbio do metabolismo dos açúcares, caracterizado
por hiperglicemia com ou sem glicosúria, não. Estamos
falando de outra doença. Estamos falando de uma sociopatia.
Na diabetes, você tem problemas com hemorragias. Na diabética,
você tem problemas com eticorragia. Uma é mal pessoal.
A outra, social.
Vivemos um tempo em
que nossa sociedade se esvai na perda de seu "sangue vital".
E o sangue da sociedade é — com o testemunho da
grande maioria dos sociólogos — a ética.
Daí os trocadilhos: diabética (uma doença
relacionada com ética) e eticorragia (um distúrbio
em que o organismo não consegue reter seu fluido vital).
Eticorragia
Costumamos entender
a questão da ética na política como uma
questão simples: os políticos precisam parar de
roubar. Aí, tudo se resolve. Más notícias:
é muito mais que isso (nem caberia neste artigo, por isso,
ficamos com alguns breves comentários).
A eticorragia se manifesta
quando uma pessoa despreparada para um cargo o assume, por indicações
políticas. Parece que pouco se preocupam nossos políticos
se o indicado a ministro da fazenda tem suas contas domésticas
em ordem. Não importa se ele é um falido. Vai dirigir
bem a pasta. Temos, é claro, honrosas excessões,
como o caso de Pelé nos Esportes e Jatene na Saúde.
Mas serão bons ministros? Você já reparou
como os ministros são cheios de soluções
depois que deixam o cargo (e desandam a dar conselhos e a fazer
críticas ao seu sucessor)?
A eticorragia aparece
quando a sociedade de tal forma perde a noção de
honra que todos sentem, de uma forma difusa, que as autoridades
estão sempre roubando. Vamos a um teste: você acredita
que aquela obra pública que seu prefeito está fazendo
vale o que ele está pagando à empreiteira? Eu também
não. A probabilidade de ele estar "levando algum",
é muito grande. Mas quando isso atinge o inconsciente
de uma população, mesmo que este ou aquele sejam
honestos, vai ser difícil crer. Por exemplo. O governo
federal foi pilhado pela imprensa, aumentando a conta da luz
em 72%. E do telefone, em 200%. Ao mesmo tempo em que diz às
empresas que aumento, agora, é falta de patriotismo. Não
falou nada, planejou em silêncio. Por que não anunciou?
Por que não explicou que era necessário, sei lá?
Nada! Essas coisas vão produzindo um estado de ânimo
na população, em que cada um quer salvar o seu.
Eticorragia. E Alagoas é apenas um exemplo de onde as
coisas podem chegar. Para quem quer ver.
Atualmente, o Departamento
de Censura Classificatória do Ministério da Justiça
está negociando com as empresas de comunicação
social um meio pelo qual elas mesmas façam a classificação
de sua programação. E quem são esses classificadores?
Conhecem os efeitos da sensualidade vulgar e da violência
sobre a alma das crianças e adolescentes? Têm filhos
saudáveis, éticos? Ou será que o galinheiro
vai ser deixado por conta da raposa?
Quando cidadãos
pacatos começam a se matar descontroladamente, as autoridades
saem com um programa de desarmamento. Resolve? Quando o trânsito
se tornou em praça de guerra, vem o programa "Pare",
do Ministério dos Transportes. Mas nem o próprio
coordenador da campanha, o ministro dos transportes é
capaz de dar socorro à sua vítima: atropela, mata
e se esconde.
Perdido, irmão?
Apenas uma paráfrase das Escrituras: "E que governe
bem a sua própria casa ... pois se alguém não
sabe governar a própria casa, como cuidará do governo?"
|