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De Bios a Zoé
Para o Soldadinho de Chumbo Virar Gente


O ser quer ser;
E, querendo permanecer
Sendo o que é,
Perde o poder
De alçar-se a Zoé.

Para ser o que é,
Bios deixa de crescer,
De sonhar, de ter fé;
O soldadinho de chumbo se afirma,
E tem calafrio insano, ingente,
Diante do novo, do dano, do desafio
De ter carne, osso, e sangue quente.

Mas, se bios quer ter alma,
Então se mata, e já não é;
Deixa o quarto de brinquedos,
E, de bios para zoé,
Alça vôo dos folguedos,
Rumo à alva, clara e calma.

Sacrifício do que era;
E das coisas que ficaram,
Para ser o que será.
Numa mudança de esfera,
As coisas do chumbo passaram...
— E à frente, o que haverá?

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Brasília, 12/2/2002
Bios = vida natural.
Zoé= vida do espírito.