![]() Retorna | 9/2/96 Tenho acompanhado com grande interesse a série de reportagens que o Correio Braziliense nos vem trazendo, sob o título de "Overdose", com o objetivo de esclarecer e alertar a população sobre os perigos das drogas. Nessas reportagens, tem ficado patente que a porta de entrada para as drogas são as bebidas alcoólicas. Um dos artigos chegou a revelar resultados de pesquisas, segundo as quais todos os drogados pesquisados tinham em seu nefasto histórico o álcool. Tenho estranhado, no entanto, que todas as discussões públicas a esse respeito apontam para a maconha, como "porta de entrada". Inclusive a Primeira Dama, em sua controvertida manifestação, se posiciona assim. Não será isso receio de enfrentar a poderosa indústria do álcool? Será que os líderes de opinião têm receio da impopularidade de dizer que a nossa tão inocente cerveja, e não a maconha, está no início dessa estrada da morte? É fácil verificar: a qual dos dois - bebida alcoólica ou maconha - mais comumente se relaciona o primeiro exemplo doméstico de descontrole e dependência? Qual a cena mais comum: um pai, ou uma mãe drogados por maconha, ou bêbados? De onde surge a primeira cena de violência doméstica? De um pai maconheiro, ou depois de uma simpática tarde de folga com amigos, regada a caipirinha ou cerveja? Finalmente, vamos aos fatos (e às estatísticas): qual é a primeira droga que uma criança de classe média põe na boca?
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