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21/01/2000 Mais uma vez o governo deixa de reajustar a tabela do Imposto de Renda. Com isso, empresas e pessoas físicas sobem de faixa, e vão pagar mais imposto por uma renda igual ou, em muitos casos, menor. A imprensa tem abordado o tema com o devido cuidado. Evita incentivar um levante civil. Afinal, chega de sangue. Mas eu gostaria de dar minha modesta contribuição, dizendo que isso que o governo está fazendo é mais um confisco da poupança nacional. Bem ao estilo "Fernando". Minha opinião é que o governo é mal assessorado, em termos de suas estratégias de relações públicas. Será que ninguém lhe disse que essa "omissãozinha esperta" tem um preço de imagem que não vale o ganho de arrecadação? Não quero crer que nossos governantes tenham sido alertados e tenham seguido em frente, de olho só no dinheiro. Por isso, continuo a supor que ninguém lhes previniu que fica a terrível imagem de que, na calada da noite, uma mão oficial está pungando nosso bolso. Ninguém se iluda: o índice de popularidade do Presidente da República também reflete essa imagem. Surge, de pronto, a pergunta: de que outras formas estará ele roubando meus bens? E nos lembramos do imposto da gasolina e da CPMF, que nunca foi Contribuição e muito menos provisória (só o governo achou que acreditaríamos nisso). Aí, o brasileiro gozador diz: "coisas da famosa esperteza brasileira, que sempre esteve no poder. O que tem demais? Se você estivesse lá, não metia a mão também? Só se for otário!" De repente, percebemos que se instala ou se reforça, na mente do cidadão, a "lei de Gérson" (coitado, como pagou pela frase!), a partir dos próprios pais da nação! Sentimo-nos tacitamente autorizados a "meter a mão", a "levar vantagem", sempre que pudermos. Que temeridade! Bem, agora quero ser prático, para terminar: do ladrão a gente tenta se defender (sabendo que a polícia não dá conta mesmo) com as armas que ninguém vai ser bobo de entregar, e não saindo mais de casa à noite. Mas como nos defenderemos desse vilão institucional, o governo? |